Furia Em - Duas Rodas

Furia Em - Duas Rodas

Foi então que viu o Fiesta prata.

Bruno perdeu a razão.

Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu. furia em duas rodas

Quando chegou, Marina estava na varanda, o rosto iluminado pelo celular. Ele subiu, abraçou-a por trás e sussurrou: “Vou dar um jeito. No aluguel. No trabalho. Tudo.”

Sentado no concreto molhado, com os carros cortando a noite ao lado, ele tirou o capacete. A garoa misturou-se às lágrimas. Não havia ninguém ferido. Não havia batida. Apenas o eco do que poderia ter sido. Foi então que viu o Fiesta prata

O motorista do Fiesta – um senhor de cabelos grisalhos, óculos de leitura pendurado no pescoço – não o viu. Estava ao telefone, ouvindo a filha dizer que havia passado no vestibular. Ele sorria. Diminuiu mais um pouco, para saborear a notícia.

O carro vinha devagar na faixa da esquerda, indeciso, piscando a seta para a direita mas sem ir. Para Bruno, aquilo foi uma afronta. Indecisão era fraqueza. Fraqueza era o que ele sentia ao ouvir os áudios de Marina, ao ver a cara do chefe, ao não poder abraçar a mãe. Quando chegou, Marina estava na varanda, o rosto

Acelerou fundo, jogou a moto para a contramão – havia um ônibus vindo. O farol do ônibus cresceu como um sol amarelo. O senhor do Fiesta, assustado com o clarão, puxou o volante para a esquerda sem querer. Exatamente para onde Bruno ia.